A moratória de Sarney/1987 chega a Catanduva

Luiz Roberto Benatti

Pelo que li no passandoalimpo, Afonso Macchione está disposto a decretar a moratória. Estamos em 2017, mas a sua cabeça continua em 1987 quando José Sarney, em 20 de fevereiro, anunciou a suspensão do pagamento dos juros da dívida externa por tempo indeterminado. Somadas as dívidas de vários países Latino-americanos a dinheirama chegou a 285 bilhões de dólares. Foi um deus-nos-acuda. Se Afonso recapitula o gesto desabrido de Sarney, o maranhense estava preso aos meandros da economia nacional dos anos 20s-30s, em cujos solavancos o dramaturgo de Barretos, Jorge Andrade, inspirou-se para escrever o grande ciclo de formação da sociedade paulista e brasileira no  painel Marta, a árvore e o relógio. Os pontos de ascensão e queda se repetem de acordo com o seguinte esquema: iminência da perda, a perda, empobrecimento familiar com o agravamento das tensões, o êxodo rural e a completa decadência. O  protagonista de A moratória é Joaquim, o proprietário da fazenda de café que, noutra circunstância, poderia ser prefeito: ele não soube administrar na crise, acumulou dívidas, veio a penhora da propriedade, ele vendeu o café a prazo sem receber pagamento. Coronel bem talhado, ultraconservador, sem o mais mínimo traço de socialismo.

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