O poder como espetáculo

Luiz Roberto  Benatti

 O poder público, todos os dias, quer ser visto como espetáculo. Os ingressos são pagos na forma de impostos e taxas, mas aquilo a que assistimos é de qualidade discutível. Claro que tal exposição do poder não é de hoje, tanto é verdade que os atores contemporâneos inspiraram-se nos grandes modelos de ontem. Mussolini, por exemplo, teria merecido um Oscar: até mesmo em Trípoli ele inflou o peito e com estilo posou a cavalo entre líbios condutores do fascio. O homem público foi mordido por cobra caninana e o veneno, a cada manhã, traz-lhe de volta a dor do efêmero. O homem público quer perpetuar-se no poder e alcançar a imortalidade. Ele carece da massa e do aplauso mais do que do café matinal.Foi um pouco isso que herdamos dos helenos, quatro séculos antes de Cristo. Em grego, teatro significa mais ou menos o lugar de onde vemos, sentido que se atualizou nos dias que correm: você se posta junto do meio-fio e assiste à passagem do administrador. Ele é ator e dramaturgo: sua fonte de inspiração literária são seus atos e manias. Caso o drama seja ruim para uns, outros irão gostar dele até as lágrimas. O gosto mediano do espectador beira o boco-moco.

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