A argamassa do monumento a Lula foi mexida e remexida pela classe média

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Luiz Roberto Benatti

 Corre por aí listão de apoio a Lula assinado por profissionais do Direito, na grande maioria, e artistas em geral. Até o momento, à lista apuseram os nomes de batismo ilustres desconhecidos. A realidade não nos basta,  razão por que Hegel já havia usado com vigor seu enxó para aprontar com rapidez  a prancha da transcendência a ser fixada na piscina do Zeitgeist. Per aspera ad astra. Mais do que da Coca-cola bem gelada, carecemos de mitos. Nos tempos da John Hopkins University, em que Lula foi enviado pelos sindicatos do ABC para ser treinado nos cursos da AFL-CIO, o moço de Garanhuns, esperto para danar, já fazia questão de falar errado para enganar o trouxa, em particular a classe média que viria a se maravilhar com o líder.Nossa classe média cultuou Ruy Barbosa assim como veio a fazê-lo com  o alcoólatra Jânio Quadros. Quem fala errado deveria falar certo, mas falar certo exige do falante vivaldino o domínio da velha  retórica com temperos de marxismo de araque e alguns tropeços verbais para encantar bovinos e equinos.  Estávamos no ano de 1972, época em que Marlon Brando usava manteiga num apartamento vazio de Paris mais parecido com caixão de defunto. Em 1963, vésperas do golpe de Estado, a Adesil, braço tentacular do Instituto Americano de Desevolvimento do Sindicalismo Livre, já tinha franquia em São Paulo. Lula e os sindicatos sabiam de tudo. Lula foi uma cunha afiada posta no meio sindical para controlar os movimentos paredistas e fazer de conta que o imaginário era o real. Em 1980, depois da grande greve do ABC, Lula fez que foi para o DOPS, para parecer que, se muitos tinham ido de verdade, bem que ele poderia aparecer por lá de mentirinha. Quem contou isso ao filho foi o doutor Tuma, protetor do grande líder. Como é que se faz um líder? Kurt Lewin, sofisticado, formulou a equação B = f (P,E), de modo que, como diria Nélson Pires, o comportamento tem por função a pessoa e o meio ambiente. Lula foi a pessoa escolhida para encarnar o líder, porque ele procedia dum meio empobrecido. Se você ainda acredita em Papai Noel não fique vexado. O peixão de Fellini, a praia e a motocicleta.

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