Farinhas de mesmo saco & outros acepipes   indigestos

Revellers celebrate "Ash Monday" by participating in a colourful "flour war", a traditional festivity marking the end of the carnival season and the start of the 40-day Lent period until the Orthodox Easter,in the port town of Galaxidi

Luiz Roberto Benatti

Os romanos fundaram em 500 a.C. a primeira escola de formação de padeiros. Não quer isso dizer que o pão tenha sido criado por eles, todavia que, com eles, o pão revestiu-se duma didática que o tornou alimento público. A contaminação do público pelo privado é perversão política muito grave nos dias que correm. Há pouco, pela internete, leitor machucado pelos atos arbitrários de Afonso Macchione, assim que deu por inaugurada a padaria do terceiro mandato, referiu-se a ele e ao Vinholli como farinhas de mesmo saco. Homines sunt ejusdem farinae. Não o são. Geograficamente, a distribuição dos Vignolli pela Itália tem características de mobilização mais comedida ainda que a família se espalhasse por grande parte do norte meridional: Toscana, Lombardia, Veneto, Abruzzo. Como o Capital, de acordo com a previsão de Marx, os Macchione espalharam-se pelo globo. Situa-se nesse enclave, a diferença básica entre ambos incrustada nos respectivos DNAs politicossociais. Macchione abaixa o perfil, tranca o cenho, joga a chave na gaveta e vai em frente. Lembram-se da bica d’água do auditório do Pe. Albino da Rua 13? O gato bebeu? Lembram-se da bica d’água da estradinha para o 7, logo depois do clube de campo? O jacaré sorveu. Lembram-se da fonte dona Zizi da WL? O camelo ingeriu com sofreguidão. Os eleitores de Macchione, em grande parte, fizeram escolha de estato, como se sua pretensa modernidade fosse também sinônimo de capacidade de percepção do social. Os eleitores de Vinholli, em grande parte, nele votaram porque, pela primeira vez nesta triste cidade, um prefeito abriu-se para o social. Água, cemitério, barro medicinal, café, emissora de rádio, lixo, linha de ônibus, asfalto, edifícios, e por aí vai a voracidade dum jovem capitalista que não tem receio em anunciar que, num dia desses, ainda transformará em ouro líquido a água da chuva.

 

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