Prometeu Prometeu

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Pedro Tamen

Entre cacto e gato há um vaso de versos,
no branco das palavras nasce a lua.

(Todos nós, minha amiga, somos irmãos conversos
virados para dentro, para a nossa rua;
só que nuns acontece ter o tejo aberto
um sossego inaudível que nunca será teu.)

No mais, é mais rochedo que deserto,
é mais arqueologia do que minicéu.
Por mim, transformo as letras numa sopa
– de cultura, ora pois, onde me nasço todo
sem rede e sem redil, só olhos e só boca:
nas palavras escavo cavernas segredadas,
concavidades mansas onde há barcos e couves.

Não agrado a ninguém. E tu, se agradas,
é neste meu martelo que não ouves.
No mais, é mais barulho que varejo,
a perna assim, um braço assado, ao fogo.
Porque eu é que te vivo e que te vejo.
Que te crio, que te mato, que te morro.

 

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