GINÁSIO DO ESTADO

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Sérgio Roxo da Fonseca

 

O colégio Otoniel Mota no passado chamava-se Ginásio do Estado e seus alunos o rebatizaram por Estadão. Faz hoje 110 anos de vida. Tornou-se a terceira escola pública mantida pelo Estado de São Paulo no âmbito secundário. A primeira foi o Caetano de Campos sediada na capital. A segunda foi implantada em Campinas com o nome de Culto à Ciência. E o terceiro foi o nosso Estadão.

Dois candidatos disputaram uma cadeira do Culto à Ciência. O professor Otoniel Mota e um advogado com escritório em Ribeirão Preto chamado Raul Soares, que, tendo saído vencedor, ocupou o cargo em Campinas, deslocando para cá Otoniel Mota que emprestou seu nome ao nosso Estadão.

Raul Soares era colega de classe de Artur Bernardes que, como se sabe, tornando-se Presidente da República, nomeou Raul para o Ministério da Marinha. Posteriormente Raul tornou-se governador de Minas Gerais, falecendo no Palácio da Liberdade. Em sua homenagem, batizaram um navio com o seu nome que, durante o governo militar, foi convertido em prisão dos opositores políticos. Há uma cidade mineira que recebeu também o seu nome. Curiosamente, Raul Soares, que era de Barbacena, iniciou sua carreira em Ribeirão Preto. O Brasil era o maior produtor de café do mundo. O Estado de São Paulo era o maior produtor do Brasil. Ribeirão era o maior produtor de São Paulo.

A importância de Otoniel Mota para Ribeirão Preto foi muito grande para a caracterização do seu caráter. O professor era luterano numa época em que o catolicismo imperava no  Brasil. A escola por ele administrada tinha professores vindos de várias correntes: a escola teve professores saídos de várias correntes do pensamento, pelo menos um maçom, um positivista e outro ateu. A grande maioria era católica.

A presença de pessoas com várias formações contribuiu, certamente, para a abertura da cultura da população de Ribeirão Preto que passou a olhar para todos os lados do mundo. Merece ser considerado que o Estadão era o ponto central da educação de toda a região riquíssima na produção agrícola.

A escola aberta, segundo o modo de ver dos estudiosos, gerou uma sociedade aberta para dialogar com todas as correntes sociais e políticas, daí a sua relevância para a caracterização do ribeirãopretano.

Há uma frase insculpida na parede de entrada do seu prédio que documenta esta ideia: o Estadão “é o orgulho do nosso ideal”.

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