João Doria Jr. e as Flores do mal

001

Luiz Roberto Benatti

 

No dia 25 de junho próximo, As flores do mal, de Charles Baudelaire, completarão 160 anos. Seria recomendável aos mestres uspianos ou unicampistas que não desligassem o despertador da Modernidade, lessem ou relessem o grande poeta francês, em particular Os pequenos poemas em prosa, e, assim, de mentes refrescadas, convidassem os alunos quase-ágrafos para participar dum seminário no qual, uma vez mais, se entrecruzassem Baudelaire, Foucault e Walter Benjamin. Para isso, e um pouco à moda nipônica, deveriam recomendar aos alunos que se descalçassem à porta do auditório, ao longo de cujos corredores ficariam as alpercatas e os tênis da miséria com o propósito de, findo o encontro, pensar que, enfim, poderíamos arquitetar um projeto, mínimo que fosse, para nos atualizarmos em Política, Literatura, Ciências, Administração pública etc. O Brasil continua metido numa camisa de onze varas ou na cova grande de palmos medida do poeta pernambucano, de onde o PT,sub-comandado pela Odebrecht, não quis nem soube nos tirar, porque, para fazê-lo, teria de ter sido outro, quer dizer, o avesso do sempre-o-mesmo partido retrógrado. Em Baudelaire, Benjamin deu-se conta de que o conceito de Modernidade não passava apenas pela demolição dos pardieiros parisienses, todavia que à Arte competia a árdua tarefa de se transformar para revolucionar. Para Benjamin, não cabia à Arte contemporânea a função de conforto ou consolo, porém denunciar a alienação dos sujeitos, decorrente das transformações sofridas pela sociedade capitalista. É o que se lê no ensaio Baudelaire e a Modernidade: um diálogo entre Walter Benjamin e Michel Foucault, de Rafael Furtado. Onde entra nesta história o prefeito de São Paulo? Imagino que ele leu Baudelaire e que, até hoje, rumina sobre os significados dum de seus magníficos poemas em prosa = Espanquemos os pobres! O Sr. Doria deve tê-lo na memória. Resumo do que não deveria ser resumido: o alter ego do poeta sai à rua e avista um mendigo sexagenário em condições de indigência completa. Sem hesitar, dá-lhe uma coça dessas semelhantes ao massacre do caratê. Arrebenta o velhote porque ele quer provar sua tese sobre os fundamentos da igualdade: quem for igual ao outro que o prove e só será digno de liberdade quem a souber conquistar. O poema se fecha com a tunda devolvida com igual fúria ao poeta. Então, petistas, a liberdade não era o conhecimento da necessidade? O Sr. Doria é homem rico, culto e refinado. Ele saiu às ruas emporcalhadas de São Paulo porque o rebotalho humano, retirado da Brastemp enferrujada do PT, foi posto para ressecar-se e exibir feridas e traços de morte e, desse modo, inerme, ser triturado e moído até que, de seus ossos, se fizessem pentes e botões para a turma do quanto pior melhor. A mulher e o psicólogo ofereceram ao prefeito um ramalhete de flores que ele atirou na rua antes de recomendar a ambos que as flores do mal deveriam ter sido entregues ao PT.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s