A hora e a vez da estrela

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Luiz Roberto Benatti

Clarice Lispector amou e foi amada por Paulo Mendes Campos no lusco-fusco das madrugadas cariocas, mas é possível que, de modo geral, o número de admiradores masculinos seja relativamente menor que as aderentes femininas. Clarice devassou a alma das mulheres e muitos homens não gostam dessas janelas escancaradas, através das quais a escritora e suas leitoras miram e remiram o horizonte ao longe. Ao terminar a leitura dum de seus livros, você poderá recomeçá-la. Embora fosse ucraniana de nascimento, deve ter sido avatar de Machado de Assis.A hora da estrela completa 40 anos e Macabéia está pimpona,  nem menos tímida e  jamais assanhada. Clarice a escreveu como resposta aos críticos exigentes que disseram que a ela faltava coragem para mergulhar-se na questão social. Leiam o volumezinho. Como os macabeus, a protagonista lutou contra a barbaridade e as ilusões da cidade grande até que morreu atropelada por uma Mercedes – com sua estrela reluzente.

 

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