Onde está a Literatura: no chão da pobreza ou no mundo inacessível dos miliardários?

Luiz Roberto Benatti

 

Ao anunciar que iria permanecer no cargo desobrigado por vontade própria de renunciar, Temer falou em fantasma, parente talvez do da ópera. O Brasil e o restante da América meridional foram  sempre habitados por fantasmas, que percorrem corredores palacianos da manhã ao fim do dia bem como nas madrugadas frias. Não arrastam grilhões mas sacolas de dinheiro. Quando não circulam por labirintos e corredores, povoam a cabeça dos governantes. São soberbos, autoritários, com gosto imoderado pelo controle dos cidadãos.Um açougue transforma-se num império, cuja escala transcontinental assustaria Marx.  Longe do boom da grande Literatura latino-americana dos 60s, já não sabemos mais de Augusto Roa Bastos e seu fabuloso romance Eu, supremo. Naqueles dias, os competentes escritores escreviam o que a crítica denominou de realismo fantástico. Decaímos primeiro para o realismo, depois para o romantismo tardio e a seguir para as narrativas da supremacia do Eu fora do poder como se nossa vontade, graças a Norman Vincent Peale, pudesse fazer o que bem entendesse e, com isso, conquistasse o direito de residir no térreo do Olimpo . Antônio Cândido foi fantasmaticamente genial e nessa genialidade, ao fechar o livro que terminara de ler, fundou o PT, o partido do Iluminado, o ditador de todos os ditadores: plano, monótono, paráfrase de todos os circunlóquios entediantes. Faltam-nos pitadas de fantástico e críticos da estatura de Augusto Meyer, Álvaro Lins e Otto Maria Carpeaux.

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