O cão

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Eduardo Lizalde /Benatti
Este é um cão.
Uma criatura que ignora a si mesma.
Não sabe
que pertence a uma classe
-de coisa ou animal-, ignora
que a palavra cão
não se aplica particularmente a ele:
acredita que se chama cão,
acredita que se chama homem,
acredita que se chama Vem!,
acredita que se chama Morde!.

 

[Aos 88 anos, Eduardo Lizales acaba de ser agraciado com o grande prêmio de criação literária Carlos Fuentes. A poesia de Lizales segue o rumo correto da melhor poética internacional, ao contrário da nossa que, com raras exceções, entaliscou-se no concretismo até endurecer-se por completo.]

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