Ode ao gato de Anna Maria Monteiro

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Luiz Roberto Benatti

 

Charles Darwin deu a AMM

um gato que ela levou para Uppsala

o cientista e o gato

entendiam-se muito bem

a ponto de se acharem irmãos de barba

imprevisível como todos os gatos

o gato de Anna Maria

faz tudo o que fazem os gatos

enfurnam-se em caixas de papelão

comem requeijão à mesa do café matinal

mascam tufos de grama para se curar de dispepsia

não tomam vodca nem café

ele conhece por cima da coberta

os pontos mais quentes do corpo

quando ele vai à janela

é para espiar outro gato que ronda a casa,

seu adversário ocasional

o gato de Anna Maria domina a Física

a Música e a Poesia

mas não tem gosto por Matemática

acima de sua poltrona preferida ele pendurou

o quadro que Darwin lhe deu

Um matemático é um cego

num quarto escuro

a olhar para um gato preto

que não está ali

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