João Elias

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Luiz Roberto Benatti

João Elias não foi em nenhuma momento ator da coxia, porque de modo bastante natural o que o atraía era o proscênio. Na Escolinha do prof. Raimundo,cujas entradas faziam-se por um sistema de rodízio, ele esperava, com inusitada paciência, o momento certo para chamar sobre si a câmera, cujo enquadramento ele dividia com Plonka, mas mesmo nessa situação ele era o one man show ou aquele que sozinho fazia o espetáculo. Ele foi sempre assim, no velho Barão ou na saudosa ZYD5. Com um pente ajustado entre o lábio e a boca, ele se automodelava como Chaplin ou Adolfo Hítler. Era um miniaturista e exigente diretor de si mesmo. Não fossem os males físicos que o acometeram e tivesse ele menos idade e a possibilidade de viver num grande centro do exterior, teria sido, quem sabe, um Erwin Wurm, o ator que, ao reunir objetos banais do cotidiano com micagens, obriga o corpo a apresentar-se como teatro.João foi a criatura da ribalta.

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