João, o múltiplo

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Luiz Roberto Benatti

Tudo o que João Elias tocava virava arte e ele foi a prova viva do que Joseph Beuys afirmara  sobre sermos  todos nós  artistas. A capa de Iniciação, prefaciado por Rocha e Turatto, foi desenhada por ele. A propósito desse livrinho de 1966, ele gostava de repetir palavras do pai, Benedito, que havia dito que,  se o volume não viesse a ser lido por ninguém, poderia ao menos servir de calço para um guarda-roupa meio capenga do quarto do filho. Dito ensinou ao filho como fazer humor e a mãe, Amélia, deu-lhe os contornos da bondade, ainda que ao João não faltassem momentos de ira contra os idiotas de plantão ou mentirosos inveterados. Fomos amigos e nefelibatas na Rua Minas, ao lado dos acumuladores Heliar, e, mais tarde, ao lado do foto Imoto; mas também na Vila Bauab, em frente da delegacia de ensino e, por fim, na Rua Avaí. João me visitou na Rua José Higino,na Tijuca, e na Maria Paulo, em SP. Prefaciei alguns de seus livros, almoçamos juntos e juntos sorvemos bons tintos. Eu e ele gostaríamos de que Catanduva fosse mais generosa com criaturas que insistem em fazer do sonho a verdadeira dimensão da vida, mas nunca acreditamos de fato que isso pudesse acontecer. Na casa dele há uma encantadora galeria de arte: os seus Manabu Mabe, executados com competência enquanto mãos e braços não lhe faltaram.

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