Rei Lear ou a loucura que se formou nos desarranjos do poder

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LRB

 Sozinhos, cantaremos como pássaros numa gaiola. Se você me pedir as bênçãos, vou-me ajoelhar e implorar a você que me perdoe. [Ato 5º., cena 3]

 O poder é efêmero, mas o governante se esquece disso. Por artifício mental, ele aciona o imaginário como se a colheita fosse prolongar-se por muitos e muitos anos, os dentes não caíssem, os olhos não perdessem o brilho, os ouvidos continuassem afinados. O poder não é o lugar em que o bem da multidão se constrói, porque para o governante a multidão, faminta e mal lavada, terá de ser mantida à distância: quanto mais necessitadas as criaturas do lugarejo, tanto mais dobrarão as costas, guardarão a língua no fundo da boca e limparão os dejetos do rei e sua côrte com sorrisos nos lábios.  

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