ETERNIDADE ETÁRIA

001

Dayher Giménez

 

Quando eu for velho, continuarei antigo como agora. Mas à minha antiguidade que me persegue desde o ventre, Deus somará a alegria de criança de barba branca, de menino de pele sulcada e sem melanina, de moleque de chapéu e bengala. Quando eu for velho, serei um velho que ainda juntará suas pedras, um velho que terá escalado as pirâmides dos egípcios e dos maias, um velho que porá no embornal os seixos colhidos no Jordão. Quando eu for velho, serei novo talvez pela primeira vez: sábio e falsamente desentendido das equações do calendário, farei de conta que os feriados são eternos e que a aposentadoria é uma seroada de fim de expediente que apenas começou e que durará pelo menos sete floradas da Youtan Poluo. Quando eu for velho, beijarei minha velhinha-mocinha até que ela perca o fôlego e careça de respiração boca-a-boca, até que ela rodopie e rodopie como na noite em que uma valsa mal executada fez com que ela dançasse feliz como se tocassem Strauss, até que a lâmpada se acenda pelas noites e as cortinas sejam fechadas pelos dias. Quando eu for velho, ah!, quando eu for velho, serei o mesmo homem de sempre.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s