Mas que culpa tenho

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Dito Inácio

Mas que culpa tenho

se me agarro à cadência mais lenta

aquela que me arranca das mãos da pressa

e me expõe aos olhos do movimento

como se andasse nu?

Que culpa tenho em extrair da substância das horas

o que é meu

em não tocar a comida que assusta minha fome?

Que posso fazer, eu, se sou o rastro e não o pé?

Deixem-me para trás.

Quero somente plantar minha tenda nessa interrogação

que existe entre as engrenagens do dia

e viver o gozo de ser o que o tempo inventado desdenha

em sua passagem.

Caminhem na frente.

Prometo chegar bem mais tarde.

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