Elissa

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Luiz Roberto Benatti
Triste é o tempo em que os pais enterram os filhos, mas igualmente triste é o tempo em que velhos amigos, com o passar dos anos,  nada souberam dos filhos de nossos amigos. Há décadas  estamos sob a névoa venenosa da dispersão afetiva, cultural e política, cuja ferida não vai-se cicatrizar. Não fui ao velório de Elissa a quem assisti em sua chegada ao mundo: estou longe do centro da cidade e continuo a ser um caminhante sem veículo. Continuo com meus livros e, como Jean-Paul Sartre, posso dizer que são os pássaros, ninhos e animais domésticos, além do estábulo e da zona rural, com os quais convivi de modo apressado, ao contrário do prolongado convívio com os insetos da biblioteca do imaginário. Sou, com minha mulher, padrinho de casamento de Yolanda e Alexandre e um dia, juntos, hasteamos na velha Fafica a bandeira do anarquismo contra o arbítrio. Ela ainda tremula em meu peito que lamenta a perda de Elissa.  
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