Joseph Conrad

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Luiz Roberto Benatti

 Se você ainda não leu Joseph Conrad, recomendo-lhe fazê-lo, não porque ele ficará desatualizado nos próximos 20 ou 30 anos, mas por ser um dos nossos, um polonês que influenciou quase todos os escritores de Língua inglesa do século XX: Hemingway, Orwell, Faulkner, Greene, Burroughs, Roth, ou então Calvino  García Márquez e Coetzee. Você poderá negar de pés juntos e ficar com a caixa torácica meio detonada por murros de contrição, mas Heart of darkness, romance que você lê numa sentada, ilustra perfeitamente bem a internacionalização do Capital na África, como a descreveu Karl Marx. Não torça o nariz pela lembrança de Marx, mas abra o bestunto para o texto do polonês. A contradição foi metaforizada pelo título: o coração vermelho escureceu-se.Sabe quando ele o publicou? Em 1890, precedido do Diário do Congo.  A obra de Conrad é numerosa e incrível é o fato de ter tido ele um corpo gestado em meados do século XIX e falecido em 1924, limiar do século XX, quando ele continua a ser  um cara dos nossos dias. Nada de religião ou regrinhas para o bom comportamento: ele descascou o abacaxi e o comeu com pimenta malagueta. Na África, o Capital, num  caldeirão de bruxa, pôs veneno na sopa de cadáveres negros.

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