CASUALIDADE E CAUSALIDADE

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                                   Sérgio Roxo da Fonseca

            A causalidade é a relação que liga um antecedente com o seu consequente. O Casamento converte menores incapazes em pessoas plenamente capazes. Se sei que uma pessoa é casada, concluo que é capaz. O inverso não é verdadeiro. Se sei que uma pessoa é capaz daí não retiro que seja casada. O casamento é condição suficiente para o reconhecimento da plena capacidade. No entanto, a capacidade não é condição suficiente para o casamento, Mas apenas condição necessária. A capacidade é necessária mas não é suficiente. Há necessidade de outros elementos, como, por exemplo, conquistar uma noiva.

            A relação de causalidade impera ou imperava em todas as áreas do conhecimento humano. Se tenho duas moléculas de hidrogênio ligadas a uma de oxigênio, logo tenho água.

            O tema é antigo. Já faz bastante tempo que circulou o livro “O Acaso e a Necessidade” do nobelista francês Monod. Naquele pequeno e grande livro o autor sustentou que a natureza anda pelo caminho do acaso e da necessidade. Não a causalidades, mas, sim, a casualidade,

            O tema vem sendo retomado ultimamente para se afirmar que ainda quando o acaso não suprima a causa é ele tão ou mais importante do que ela.

            Já se encontrou um apelido romano para o acaso que ultimamente é conhecido como a álea, ou seja, a sorte, donde derivam os acontecimentos aleatórios. A expressão teria sido consagrada por César ao atravessar o Rubicão, chefiando as legiões romanas. Não havia como voltar e a única saída era lutar. Frente a essa contingência teria afirmado “alea jacta est”, ou seja, “a sorte está lançada” ou “os dados estão lançados”. Firma-se assim, hoje em dia o princípio da aleatoriedade como reitor dos fenômenos científicos. É escusado dizer que a teoria esmaga o pobre conhecimento que, sobre a matéria, conseguimos reunir.

            O exemplo encontrado é do espanhol que ganhou sozinho o maior prêmio da loteria de sua terra, o “El Gordo”. Como o senhor conseguiu o seu palpite, os jornalistas perguntaram? Foi fácil, respondeu, sonhei com o número sete duas vezes. Multipliquei sete vezes sete. Deu quarenta e oito. Joguei no quarenta e oito e acertei. Não, contestaram os jornalistas, o senhor errou. O resultado da multiplicação não é quarenta e oito, mas, sim, quarenta e nove. O espanhol havia errado na conta mas acertado no palpite. Ou melhor, o resultado da operação matemática nada tinha com a sua enorme sorte. Foi o acaso. Não foi a causa. Se tivesse acertado na conta, não teria saído vencedor no jogo. Mas há um acaso na causalidade?

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