Uma bala é para sempre

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Luiz Roberto Benatti

 

Tomei emprestado de Bob  Lee Swagger a expressão do título do artigo. Swagger é atirador exímio, capaz de acertar no alvo a uma distância impressionantemente recuada. A minha bala é a Chita de saudosa memória. Era perfumada e grudava nos dentes. Na época dos cintos da escola primária, usávamos o papel da bala que, dobrado e redobrado, se não servia, de fato, para segurar a calça rancheiro, era prova de paciência e habilidade, como o rabo-de-gato. A bala foi criação dum espanhol, mas quem a divulgou foi Johnny Weismuller, ator austro-húngaro que, migrado para os EUA, fez o Tarzã até hoje mais admirado. Chita era sua companheira no alto das árvores ou ao lado de Jane, a namorada. Tarzã é avatar dos grandes heróis gregos, nórdicos ou germânicos: era muito forte, matava crocodilo com a força dos  braços e uma faquinha que levava na cintura do calção quase indiscreto. A selva habita em nós desde épocas imemoriais.  O ator contraiu pólio na infância e o médico recomendou-lhe nadar, atividade que fez do futuro Tarzã campeão de natação cujos feitos repetiram-se inúmeras vezes. Até hoje a natação deve a ele parte do encantamento  do público:  a água nos aparenta aos peixes e o gosto pelo oceano pousa a criança existente em nós no regaço materno. Johnny Weismuller morreu de complicações cardíacas porque nada neste mundo é para sempre.

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