Chagall e Shaw, da adoração de Stálin à terra da liberdade

001

Luiz Roberto Benatti

Devemos a Descartes a concepção da figura matemática acima, chamada lemniscata ou símbolo do infinito. Supondo que ela se desenhasse como estrada e que você, ao partir de carro, avião, trem ou  vôo,  da metade do círculo à esquerda, considerado como linha reta,  quisesse alcançar a metade oposta à direita, você terá feito a viagem inversa de quem partisse de seu ponto de chegada para alcançar o lugar em que você se achava. Vocês não se topariam a meio caminho a não ser que, por um momento, se reconhecessem como viajantes opositores no ponto de interseção dos dois círculos. Foi o que fizeram Marc Chagall e George Bernard Shaw, o pintor como aquele que queria estar bem distante do pai venerável Stálin e o segundo como idolatrador do sanguinário ditador russo. A notoriedade de Shaw sumiu-se do mapa ao contrário da fama de Chagall. Cabe aos psicanalistas explicar tanto o pavor de Chagall quanto o amor incondicional de Shaw. Nenhum de seus filhos será feio para a prestimosa mãe coruja. Em Moscou, Shaw foi conduzido de carro para conferir os feitos do ditador, ao contrário de Chagall que pensou em desaparecer da Rússia ainda que fosse nas asas da imaginação, com sua musa.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s