O TERCEIRO HOMEM

001

 

                   Sérgio Roxo da Fonseca

 

         Tiranos governaram a Itália durante longos séculos gerando Leonardo da Vinci, Caravaggio, Michelangelo, Vivaldi, Maquiavel, dentre outros. A Suíça vive há quinhentos anos na democracia e somente revelou o relógio do cuco. No filme “O Terceiro Homem”, a frase é pronunciada por um amigo surpreendido cometendo crimes ao justificar sua conduta ao companheiro honesto.

         O filme, de 1949, não surpreende só por isso. O grande escritor Graham Greene escreveu a obra. Orson Welles, Joseph Cotten e Alida Vali figuram como atores principais. Alexander Korda foi seu diretor. O filme recebeu inúmeros prêmios, inclusive como a melhor obra do ano pelo festival de Cannes.

         A música também fez história. Afirma-se que o elenco, durante a filmagem, reuniu-se em um restaurante de Viena onde o músico Anton Karas tocava cítara. Ficaram encantados. A música, que se tornou a trilha sonora do filme, “The Third Man Theme”, virilizou-se, como se diz hoje. Dali para frente, as trilhas sonoras dos filmes passaram a ter valor econômico.

         O filme inicia-se com o enterro de Larry que morreu atropelado em Viena, cena presenciada por um terceiro homem não identificado. É o fim da guerra de 1945 e todas as polícias estão atrás de Larry, o criminoso. O seu amigo Cotten chega no dia do enterro. Mas se Larry é protagonizado por Orson Welles como que é retirado de cena no primeiro momento? Como se percebe, Larry não morreu tanto que mais tarde irá pronunciar as palavras iniciais da presente crônica.

         A tirania tende a gerar mais progresso humano do que a democracia? O crime pode encontrar alguma justificação lógica? A violação de direitos pode ser a regra hipotética fundamental do Estado?

         O tema foi bem timbrado no filme. Poderia ser mais bem aprofundado nos bancos escolares.

         O filme e a sua música estão registrados na minha memória como uma das chaves que encontro para compreender a existência após a estúpido conflito que mascaradamente recebeu o nome de Segunda Grande Guerra.

         Confesso que já tive o privilégio de ocupar uma das cabines da roda gigante, palco do encontro de Larry com Cotten. E mais ainda. Estive em um seu restaurante quando um músico, a meu pedido, tocou numa cítara o tema do Terceiro Homem.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s