Duas ou três mentiras que eu sei sobre Joseph Stálin

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Luiz Roberto Benatti

 Nos tempos do czar corria à solta, na Rússia, a seguinte recomendação machista: “Bata na sua mulher com o cabo do machado e, a seguir, constate se ela ainda respira. Caso esteja respirando, você saberá que ela trapaceia e, além disso, quer apanhar ainda mais”. Isso ocorria no andar de baixo, quer dizer, no meio dos humilhados e ofendidos que formavam legião. No mundo dos aristocratas, se as coisas nem sempre se resolviam no cabo do machado, por outro lado, as mulheres não podiam viajar, trabalhar ou estudar sem a expressa permissão dos maridos. A violência doméstica ocorria em todos os níveis sociais. Os Sheremeters tinham 200 mil servos, número que você jamais imaginou que tivesse existido noutro lugar do universo, além de 340 funcionários a seu serviço. A partir de 1917, digam o que quiserem dizer os contraditores, a mudança em todos os setores foi ampla, geral e irrestrita. Os bolsheviques extremaram, talvez, os feitos da Revolução francesa. Ocorre que tudo isso durou pouco: Lênine adoeceu com gravidade e morreu logo depois; Trotsky foi para o exílio e a morte; Stálin tomou o poder e restaurou grande parte das práticas czaristas, dentre as quais o aumento no grau de dificuldade para obter-se o divórcio, ou  então a reatualização da homossexualidade como ação criminosa. As lésbicas eram chamadas de koshki ou mulheres-gatas e aos gays reservavam-se 8 anos de prisão. Questão para os nossos moços “comunistas” desta pobre província, sem lenço nem documento: existiu outro modelo de composição de células comunistas no Brasil se não o de Stálin? No romance “O que deveremos fazer”, Nicolau Chemyshevsky traça o perfil de Vera Pavlovna, em quem o autor se inspirou para criar o personagem Rakhmetov. Lênine foi grande admirador de Vera, bem como André Gide, como poderemos constatar  na leitura de seu romance As caves do Vaticano.Resposta à pergunta:  existiu, mas os aguerridos rapazes não querem saber dele nem pôr em questão a particular visão retrógrada de suas idéias políticas.

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