Relógio em tempo de trevas

001 

Sílvia Gabas

 

Há horas em que um desânimo lúcido se abate sobre um mortal.
Momentos de “insights” definitivos em que algo sussurra ao ouvido: jogue a toalha, entregue os pontos!

Não deu certo, minha gente, não vingamos enquanto raça!
É nobre aceitar derrotas e estamos diante de uma delas, talvez a maior.
Olhem com atenção ao redor. O que veem?
O ar quente e seco no ar trombeteia a derrocada e a impossibilidade de qualquer ânimo que não soe como farsa: no outro, no mundo, em si mesmo.

O mundo soçobra, em meio a uma ignorância que resolveu dar as caras de vez. Há burrice intolerante  circulando por veias demasiadamente humanas e sensatez rareando a cada volta de um relógio em tempo de trevas.
Por onde se desvie o olhar, destroços visíveis de um edifício prestes a desabar.
Diógenes enlouquecidos trafegam pelas ruas em busca do homem são,que extinto está e deu lugar a farrapos que arrastam seu desespero vazio pelas horas, como símbolos irretocáveis do fracasso de uma raça que degenerou.

Que venham, pois, os ventos fortes, as altas temperaturas, os vendavais e as inundações. Que nada reste, que tudo pereça e apodreça na vala comum onde repousa a indigente inteligência humana que um dia pretendeu brilhar na crosta de um planeta periférico de uma galáxia qualquer, como joia reluzente da coroa do reino, e que dê lugar a um ar puro e desinfetado, enfim, dessa praga chamada homem, fracasso cósmico supremo.
Já passa da hora.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s