Duas visitas, muitas ingratidões: Jango em CTV

 

Luiz Roberto Benatti

 Jânio e Jango foram vistos pelos catanduvenses por aquilo que não correspondia de fato ao que eram: o primeiro como figura positiva, o segundo por sua negatividade politica. O primeiro foi sempre uma ameaça, porque saía do copo para a mesa de despacho; o segundo porque, ao justificar os desmandos de parte da caserna, gostamos de afirmar que ele conduziria o pobre Brasil ao comunismo, como se nesta terra sáfara de idéias soubéssemos o significado disso. Não sabemos e é por isso que vamos à matroca. Somos ingratos: Jango nos visitou duas vezes, em 1960 e 1962. Imaginem que ele deu-se ao trabalho de vir inaugurar o SAMDU, em 60; em 62, por razão mais nobre, quando, no tempo em que tínhamos bestunto, inventamos o pão de milho. Em 64, na antevéspera do golpe, Jango falou na Central do Brasil para uma multidão de 300 mil pessoas, gente do povo, e eu tenho com os meus botões que foi essa a última vez em que aquilo que você pode chamar de povo foi tratado por sua inteligência e capacidade de pensar a necessidade que, conforme Marx, é condição básica de liberdade.

[Duvido de que o atual triprefeito saiba fumar um cigarrinho de paia como Stocco.]

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s