Desastres da República

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Luiz Roberto Benatti

A República especializou-se em baldeação: foi da Estação Vamos-ver-no-que-vai-dar para a Estação o mundo é dos espertos. Como há muita gente entalada no túnel, as lâmpadas não foram apagadas. Pedro II era homem culto, a República emburreceu. Espetáculos mambembes, tivemos de tudo, até mesmo um presidente bêbado que, por falta de projeto, proibiu rinha de galo e maiô quase-sumário de miss. Os cachorros loucos espumam em agosto, o mais cruel dos meses. JK mandou construir Brasília, porque a proximidade com o mar carioca provocava-lhe enjôo. A suntuosidade era seu Engov. Niemeyer foi morar no sertão porque cada estalinista tem a Geórgia que merece. Ao perder a noção de destino, o partidão comunista virou um grupelho de clãs: clãs sem destino. A República é doutora em desfaçatez, mas como poucos sabem o significado disso digamos que ela ficou cara de pau. A República anda com as pernas do povo, semeia pedras e colhe o ouro dos tolos. O seu propósito é levar o país à breca e lucrar com o prejuízo. Case seu filho com a tetraneta do senador: quando seu neto for adulto, o senador ainda estará em Brasília.

 

 

 

 

 

 

 

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