É hora do biodiesel

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Prof. Mário Eugênio Saturno

 Já tive a oportunidade de mostrar o quão errados estão os políticos brasileiros ao proibir que veículos leves utilizem o motor diesel: defendi então que  fosse mais rigoroso na emissão de poluentes. Gosto de lembrar que o biodiesel leva  grande vantagem sobre o diesel, pois este tem muito enxofre, forte elemento poluidor. O biodiesel também tem uma vantagem sobre o álcool, que precisa ser destilado para separar-se da água, ou seja, o biodiesel requer menos energia para a  sua produção.

Dias atrás, uma pesquisa coordenada por cientistas da Universidade de Montreal, no Canadá, verificou que os novos motores de diesel já estão emitindo menos poluentes do que os motores de gasolina. Pesquisadores do Canadá, EUA, França, Itália, Suíça e Noruega analisaram o material particulado de carbono emitido pelos canos de escapamento dos carros. Confirmaram que as novas tecnologias eliminam os poluentes dos motores de diesel.

Hoje, o diesel tornou-se muito mais limpo e os reguladores ambientais devem concentrar cada vez mais o foco de sua atenção nos carros mais poluentes de gasolina e em outras fontes de poluição do ar. O diesel tem má reputação porque  podemos ver a poluição que gera, uma fumaça preta, mas é a poluição invisível que vem dos carros de gasolina que merecem atenção.

As partículas de carbono são compostas por carbono negro e, especialmente, aerossol orgânico secundário, que é conhecido por conter formas perigosas de oxigênio reativo e que pode danificar o tecido pulmonar. Nos últimos anos, os carros de diesel novos na Europa e na América do Norte foram obrigados a ter filtros de partículas que reduzem significativamente a poluição que emitem.

No Instituto Paul Scherrer, na Suíça, verificou-se que carros de gasolina emitem 10 vezes mais material particulado a 22° C e 62 vezes mais a -7° C em comparação com  carros de diesel. O aumento das emissões em temperaturas mais baixas está relacionado ao efeito mais pronunciado da partida a frio, quando um motor de gasolina é menos eficiente porque ainda não esquentou e seu conversor catalítico ainda não está operando.

Oportunidade? O Ministério de Minas e Energia anunciou em setembro que o Brasil deverá ter superávit de energia este ano, fato que ocorrerá pela primeira vez desde 1940, ano que começou a fazer estatísticas globais de energia. As altas taxas de crescimento na produção de petróleo e na de gás natural, associadas a uma baixa demanda global de energia, vão proporcionar o superávit.

A produção de petróleo acumula alta de 10,9% até junho. E a produção de biodiesel cresceu 3,1% no acumulado do ano. Não deveria ser o contrário, aumentar absurdamente a produção de biodiesel?

Já passou da hora de o  Brasil liberar a produção de biodiesel para qualquer empreendedor. Mas o investidor estrangeiro só deveria ter permissão para investir em novas fábricas e novas áreas agrícolas. E especial atenção deveria ter o aproveitamento de óleo de cozinha usado, que é um grande poluidor dos rios, inclusive com financiamento do BNDES, já que a coleta e o processamento gerariam muitos empregos. Sonho com o dia em que o diesel de petróleo é que será aditivado ao biodiesel.

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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