O CRU E O COZIDO

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                   Sérgio Roxo da Fonseca

 

         Claude Levi-Strauss nasceu na Bélgica de uma família judaica. Estudou direito em Paris onde ministrou aulas. De 1935 a 1939 lecionou sociologia na Universidade de São Paulo, compondo um famoso grupo de professores franceses, dentre os quais estava Pierre Monbeig. Faleceu em Paris com mais de 100 anos em 2009.

         No Brasil passou a estudar os índios brasileiros, visitando suas tribos, avançando para o Oeste, invadindo regiões ainda desprovidas de estradas. Foi o primeiro pensador ou um dos primeiros professores a pugnar pela igualdade entre todos os povos e raças, com destaque a índios e europeus. As suas pesquisas revelaram que caminhava de pontos mais simples da convivência humana para revelar o caráter de sua igualdade universal. Tornou-se o etnógrafo mais respeitado e premiado do âmbito universitário.

         O seu livro “O Cru e o Cozido” não é o mais famoso, mas documenta o método aplicado à sua pesquisa. Teve como objeto o costume do homem ingerir comidas cruas e cozidas.

         Ainda olhando para os índios brasileiros, estudou o costume de completar a alimentação com a sobremesa sucedida pelo hábito de fumar. Qual o significado da sobremesa e do fumo? Será possível indicar uma chave universal para identificar a igualdade, com esses dados, a contar dos costumes mais simplificados até alcançar as revelações religiosas como porta desejada para a eternidade?

         Levi-Strauss buscou encontrar a linguagem para destravar essas veredas.     O seu livro mais conhecido e mais aplaudido refere-se às memória de sua passagem pelo Brasil: “Tristes Trópicos”. Obra bastante extensa documentada por fotografias tiradas dos nossos índios. Curiosamente, algumas das gravuras e das fotografias exibem modelos de tatuagens usadas pelos índios hoje estampadas na pele dos jovens brasileiros. De todas as raças…

         Nas suas páginas iniciais registra que sua passagem pelos tristes trópicos não foi palco de uma aventura, mas, sim, o peso de uma servidão a que se submeteu para revelar a verdade oculta encontrada entre as tribos de índios do Oeste brasileiro. São poucas as obras editadas sobre a realidade brasileira. Com certeza “Tristes Trópicos” é uma das mais extraordinárias.

 

 

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