O tempora! O mores!

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Luiz Roberto Benatti

Já que o sarcástico Zé Dirceu, por ter chegado atrasado ao baile da Ilha Fiscal, contentou-se com dançar num churrasco de Brasília, não poderemos mais contar com o Cícero da Maria Antônia. Verres e Catilina que se arrumem para localizar  na praça quem contra eles vitupere. Zé Dirceu era exaltado mas não irado ou raivoso. A moça exaspera-se por qualquer coisa e pergunta depois o que ocorreu antes. Sem saber onde fica a Tanzânia, escolhe William Waack, o mais talentoso dos jornalistas de televisão, para lhe dizer que, hoje, em nosso pequeno mundo chamado Brasil, não haveria mais lugar para Leônidas da Silva. Onde já se viu negro aceitar ser nome de chocolate e chocolate apreciado por ricos? A bicicleta de Leônidas lembra um pouco o avião de Santos Dumont que a historiografia norte-americana quer que tenha sido obra dos Irmãos Wright. Há quem defenda que a bicicleta foi criada por Petronilho de Brito. Se, em vez de tição, deveremos chamar o negro de afrodescendente, como brincaremos   no boteco com  um genuíno branquelo? Leônidas, graças ao olho clínico de Ruggero Jacobbi, figurou num filme – Suzana e o presidente – antes de Pelé ou Garrincha. Cuidado com o Diamante negro: conteúdo e continente são escuros como breu.

 

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