Temos fotógrafos, mas não documentaristas

Luiz Roberto Benatti

Nossas revistas são álbuns de ócio e satisfação: luzes, sorrisos, dentes alvos, futuro garantido, dinheiro de plástico. Os álbuns diários do Facebook falam de churrasco, bar, cerveja, ajuntamento de amigos à beira da piscina. Todos acenam para o presente porque com nenhum deles o futuro vai-se esquecer de ser generoso. A classe ociosa da cidade não tem  olhos, ouvidos e boca para os deserdados da fortuna e, embora disponha de câmera, não garante para os estudiosos o suor e o deslocamento dos trabalhadores, como se a cidade, nesse particular, fosse a vila dos fantasmas e apenas o vento tocasse sua música triste pelas ruas. Odiamos os pobres, razão por que não iremos garantir-lhes a imortalidade fotográfica. A fotografia de dois ou três pedreiros que escavam  o baldrame do velho Liceo Rio Branco deverá ser preservada pela  ousada exceção ao nosso gosto pelo ócio. No restante do mundo, as coisas se passam de outro modo.

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