O espólio da Revolução francesa

marie anto
Luiz Roberto Benatti
Além de preparar numa estufa as sementes da futura República, o grande espólio da Revolução francesa foi ter espalhado faúlhas de ócio e fausto pelo mundo todo, de tal modo que, ao ser sepultada na França, pudesse ela, por cissiparidade, remontar-se em pequena escala no restante do globo. Os monarcas sem coroa querem ser como Luís XVI e as consortes com ou sem sorte suspiram diante do espelho como se filhas de Maria Antonieta fossem. Em 1785, no teatro Petit Trianon de Paris, a rainha era atriz da peça de Beaumarchais O barbeiro de Sevilha e, de modo involuntário, parece, meteu-se num rolo sem tamanho porque o joalheiro oficial foi ao palácio cobrar-lhe a prestação dum rico colar de pérolas e diamantes do qual o cardeal Rohan era o fiador. A rainha alegou que não sabia de nada, o cardeal, depois da investigação, foi enviado para o presídio da Bastilha e a condessa de La Motte, autora, talvez, da trama, condenada à prisão perpétua, foi mandada para a prisão da Salpetrière, cujos ecos repercutiram na Psicanálise. Finório, o cardeal safou-se com garbo e astúcia.  O ex-governador do RJ e sua mulher tudo fizeram para que o Palácio Guanabara reproduzisse Versailles. Muitos estudiosos acreditam que a rainha teria merecido tratamento mais brando da corte e do povo que a apelidaram de L’autre-chienne, quer dizer, outra mulher austríaca e outra cadela. Maria Antonieta foi guilhotinada  no dia 16 de outubro de 1793, sem o colar de diamantes da comédia de Beaumarchais.
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