ZULEIKA SUCUPIRA KENWORTHY

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                        Sérgio Roxo da Fonseca

 

            Com a idade de 105 anos, a Promotora de Justiça Zuleika Sucupira Kenworthy faleceu em Sorocaba, na noite de 13 de dezembro de 2017. Foi a primeira mulher a ingressar na carreira do Ministério Público de São Paulo, do Brasil e da América Latina. Narrava que ao tomar posse ouviu de um Procurador de Justiça que, se ele estivesse na banca, jamais teria sido aprovada por ser mulher. Enfrentando o preconceito, somente foi aprovada após ter sido reprovada em dois concursos anteriores.

            Ainda estudante, em 1932, tornou-se combatente, compondo as tropas paulistas que lutaram contra a ditadura de Getúlio Vargas.

            Como promotora de Justiça desenvolveu histórico trabalho em favor da liberdade individual e social, especialmente na área hoje em dia batizada com o nome de Direitos Humanos.

            Lutou bravamente contra a exploração de prostitutas que, até então, viviam confinadas na denominadas “zonas”. Eram elas necessariamente fichadas pelas autoridades policiais, dando vida à passagem clássica do “Crime e Castigo” de Dostoieviski. Narrou o grande romancista que na metade do século XIX as prostitutas russas somente podiam trabalhar depois de assinar a “ficha amarela”, tal como a filha de Marmieládov. As nossas prostitutas também eram fichadas pela polícia.

             Na cidade de Ribeirão Preto, dentre tantas outras, a “rua da zona” ficava no centro urbano, ou seja, na Rua José Bonifácio, nas proximidades do Mercado Municipal. As prostitutas somente podiam sair à rua durante o dia. Nunca à noite, período no qual deviam permanecer confinadas para o atendimento dos  fregueses. Pela regra imposta às “escravas brancas” deviam pagar um preço em favor da dona da “casa de pensão” ou do  “gigolô”.

            Zuleika declarou guerra contra a exploração sexual das prostitutas, desencadeando o fechamento dos lupanares, primeiramente na cidade de São Paulo. Depois por todo o interior do Estado de São Paulo.

            A sua passagem pela vida pública foi extraordinária, convertendo-se num verdadeiro ícone, seja na luta pelo fim da exploração das “escravas brancas”, seja derrubando preconceitos formulados contra as mulheres, seja batendo-se pela democracia da conturbada vida política do Brasil. Zuleika trilhou uma longa e gloriosa caminhada.

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