Devagar com as pernas, se não o motorista tira sarro

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Luiz  Roberto  Benatti

 Com o embornal vermelho no ombro e de costas fico parecido com Samuel Beckett, a  melhor coisa que ocorreu  no teatro depois de Shakespeare.Dos antigos heróis sobraram latas de lixo com velhos desdentados metidos até o pescoço. Se o irlandês foi cruel com alguém, começou por ser perverso consigo mesmo. Aristóteles sabia que os velhos são azedos. Você passa uns anos reclamando do elevado custo da comida e da bebida, quando, de repente, numa tarde azul-demente, você  se dá conta de que os dentes se esfarelaram e o joelho pega fogo. Os filhos foram para Nenhures dispostos, quem sabe?,a redesenhar a cartografia pessoal e, quando voltam, trazem uma foto labiríntica da Muralha da China, onde Mao esqueceu a escova de dentes. A Política está uma porcaria e eu me pergunto às 4 da manhã, quando desço para coar o café, se os meus livros ainda servem para alguma coisa  depois da morte do Heffner, se não de ração para as traças? Meu cunhado ficou me devendo viagem a Nova York, mas a criatura esticou a canela. Sabe de uma coisa? O País perdeu a graça: ouvi isso numa esquina num dia desses e quem disse foi uma garota de pernas fenomenais. Ainda bem que a véia está surda como uma porta.

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