Cony

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Luiz  Roberto Benatti

Cony morreu sem ter-me conhecido, mas quem perdeu a ocasião do encontro fui eu,em1963,primeiros dias do famoso 64, quando desembarquei no Rio  de Janeiro.Eu era ousado nas coisas de literatura e outras colaterais, como o jornalismo, por isso que, através do Attílio,  o irmão Ayrton e o tio, Orlando Cardarelli, diretor do hospital evangélico, deveria eu ter-me avistado com o irmão do escritor, anestesista amicíssimo do tio Carda.Cony era editor do Correio da manhã, onde os amigos aloprados como eu pensavam em me encaixar.Todos os dias Cony lançava contra as trincheiras da ditadura uma bomba molotov e o conjunto do fogaréu poderá ser relido em O ato e o fato.Os esbirros dos militares botaram uma bomba na garagem do escritor, a condessa exilou-se no exterior, o Correio foi fechado e eu fiquei num meio-fio da Rua do Catete ruminando sobre o destino que as caçarolas dos carolas havia-me reservado. Cony tinha adversários à direita furibunda e à esquerda desparafusada  ou prestista que achava que ele deveria escrever como Jorge Amado.A obra de Cony é numerosa mas eu recomendo a leitura de Pessach:a travessia que deveria ser degustado com a mesma avidez e interesse com que poderia o leitor ler A famosa revista,de Geraldo Galvão e Patrícia Ferraz.O Partido comunista nunca soube o que fazer dos verdadeiros escritores.

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