O que perdemos, no gelo e no deserto, ao deixar de ser lobos

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Luiz Roberto Benatti

 

o prazer em percorrer grandes distâncias

com patas adaptadas à neve

e a destreza  em deixar no solo gelado

marcadores químicos

excretados por glândulas odoríferas instaladas em  nossos dedos

agora não fedemos nem cheiramos

o doce ou o amargo de nossos gritos

simulam um deserto de papelão

onde o vento sopra na contramão

quando chegou a pesar 86 quilos

meu pai foi morto na Ucrânia

a guerra o devorou até reduzi-lo a ossos descoloridos

façam suas apostas senhores  a guerra é sua

eu volto à minha solidão lunar

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