Bate-papo sobre Modernidade com Anna Maria Monteiro

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Luiz Roberto Benatti

Na pintura de Natália Gonchorova vêem-se dois tempos – o do trólei puxado por burro e o da mulher, vestida à moda européia.A mulher parece caminhar por rua de terra, e esse fato apenas reforça a questão dos tempos opostos.A Rússia imperial e muitas vezes rural resistiu como pôde à tomada do poder pelos bolsheviques, mas o mundo antigo não se desfigurou de repente, ainda que os futuristas, como El Lissitsky, tudo parecessem ter feito para inaugurar o novo. A Rússia parecia reproduzir a remodelação de Paris por Haussman, como o prefeito Passos, no RJ, bom discípulo do parisiense, quis imitar. Seja como for, o conceito de Modernidade renova-se à medida que artistas, urbanistas e engenheiros empurram o velho para Nenhures, a fim de meter o novo na paisagem. É bom observar, no entanto, que o conceito de Modernidade vai e volta, desde 1500, e que conhecido crítico uspiano apelidou de pré-modernistas Euclides da Cunha e Lima Barreto, primeiro porque não sabia em que estante enfiá-los; segundo, porque a confusão quanto às temporalidades estão sempre presentes em nossos diálogos: como poderia algo pré-modernista vir antes do modernismo? Nós veneramos a casinha de sapé com o fogão de lenha, ainda que não queiramos rachar lenha ou ser picado por barbeiro. No  Ngram viewer, a Modernidade dispara a partir de 1880, mas até 1960 ela tem teto baixo.

 

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