Rodrigo, Cid, o Campeador

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                Sérgio Roxo da Fonseca

 

        A Espanha é uma terra de heróis, daí a vastidão de livros publicados sobre o assunto. Rodrigo, que nasceu nas vizinhanças de Burgos, em 1043, é o melhor exemplo. Naquela época não havia unidade territorial. Nem na Espanha  nem no resto da Europa. A Espanha era dividida em vários reinos cristãos e mouriscos.

        Rodrigo foi apelidado pelos mouros como “El Cid”, expressão derivada de “sidi”, que significa vencedor. “El Campeador”, outro dos seus apelidos, transmite a ideia de se tratar de uma pessoa sempre vencedora.

        Não existia na época uma unidade jurídica e o direito público não era conhecido. Portanto, a regra básica estava sintetizada na seguinte expressão: “rex est lex”, ou seja, o rei é a lei. Com a evolução da ciência jurídica, inverteu-se a proposição que passou a seu “lex est rex”, ou seja, a lei é o rei.

        Com o falecimento do rei, seu poder e o seu território eram dividido entre seus herdeiros tratados como  sucessores em processo civil que hoje encontra semelhança com o nosso processo de inventário.

        Dividido o reino de Castela, entre os sucessores do rei, Cid ficou ao lado de Sancho que, logo a seguir, luta contra seus irmãos em busca da unificação do reino. Cid foi o campeão, vencendo até mesmo os mouros, muitos dos quais se tornaram seus amigos. Outros, inimigos.

        Várias Línguas eram usadas no território, misturando especialmente o hispânico latino com o mourisco. Por exemplo, Júlio César, que foi proconsul romano na Espanha, criou uma cidade que foi batizada com o seu nome. Os árabes não conseguiram pronunciá-lo, transformando-o no em “Zaragoza”, onde se encontra uma igreja que expõe uma relíquia da Cruz de Cristo.

        Não é fácil compreender a transformação de costumes e de idiomas na Espanha de Rodrigo. Como também no restante do mundo.

        Os árabes acabaram sendo derrotados pelos cristãos na época em que os espanhóis estavam descobrindo a América. Naqueles tempos, 1492, supunha-se que a América era a Índia. Os colonizadores batizaram os habitantes da América com o nome de “índios”. Índios que, com certeza, não eram e não são índios.

        O príncipe mourisco rendeu-se aos reis católicos em Granada, no Castelo Alhambra, que significa “o vermelho”. Em uma de suas paredes está inscrita a frase atribuída à mãe do príncipe derrotado: “não chores como mulher pelo que não soubeste guardar como homem”. Os árabes não foram expulsos da Espanha, ao contrário, passaram a integrar sua Língua e sua cultura. Rodrigo e Cid são dois nomes comuns nas terras hispânicas, marca registrada deixada pelos dois principais fundadores de sua nacionalidade.

 

 

 

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