As leitoras de Clarice Lispector mataram Cassandra Rios e foram chorar numa rua das Perdizes

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Luiz Roberto Benatti

 Para quem tivesse a ousadia de ler Cassandra Rios, de olho na porta, todos os quartinhos eram íntimos. Clarice é cheia de arabescos e seus personagens se desconstroem à medida que emitem o mais mínimo desejo de realizar algo irrealizável. Cassandra Rios dava nome a todas as porcarias imagináveis ou completamente impensáveis. Vendeu 1 milhão de livros bem antes que Paulo Coelho tocasse a campainha para nos vender seus abacaxis com gosto de nada e coisa alguma. Somos assim e quem passou passou porque o mundo gira depressa e nessas voltas eu vou. Inúmeras de suas mulheres foram lésbicas e alguns homens castrados. Como adoramos epítomes grandiosos graças aos parnasianos aguados, alguém da crônica a chamou de Safo de Perdizes. Perdizes estamos nós nesse vasto areal sem saber que, dentre outras coisas, Cassandra era mulher muito bonita.

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