Por que é tão difícil lidar com o Lula?

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Luiz Roberto Benatti

Num curtíssimo ensaio de três páginas sobre Beckett, Gilles Deleuze lembra que o bispo Berkeley, ao trocar os sinais da divisa de Descartes, afirmou que ser é ser percebido, para depois perguntar-se se seria possível escapar à percepção? Sinônimos de percebido são escutado, notado, ouvido e compreendido, dentre outros. Furiosos, os oponentes de Lula tapam com cera o ouvido, como com as sereias procedeu o navegador Ulisses, como se conseguissem eles fazer com que o ex-líder sindical pudesse ser impedido nesse ato de percepção. Não adianta vociferar que Lula não tem escola e que, por isso, ele não seria merecedor de notabilidade. Lula comete erros de linguagem o tempo todo e isso deixa a camada letrada da população enfurecida pelo fato de Lula não ser um avatar de Ruy ou Jânio. Para nós, parnasianos, quem fala bem é capaz de sustentar moral elevada enquanto que a de Lula acha-se rebaixada. Os ministros do Supremo que o cercam de cuidados como se quisessem livrá-lo da prisão pronunciam-se num Português de gabinete, do qual o sindicalista faz a caricatura. Lula ex(s)istere, quer dizer, ele se manifestou e se manifesta o tempo todo. Ele é a reencarnação de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.Lembremo-nos de que ele tem padrinho poderoso – FHC.

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