À mesa

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Luiz Roberto Benatti

A verdade ou o que eu penso ser verdade ou então a mentira que se disfarça em verdade é que eu não me sentei aqui onde estou agora, fechado em meu luto por sua ausência, todavia que no horário aprazado eu me sentei em frente de onde estou no momento, no meio da mancha de vinho cuja garrafa derrubei como quem socasse o rosto da desilusão e da face sangrenta escorresse larga nódoa de aroma italiano, a garrafa que comprei em Roma há 10, 20 ou 30 anos e que deixei inclinada e protegida do sol e da excessiva luz incômoda. O tempo do meu vinho é o mesmo que o seu, sua demora crudelíssima, o atraso que espeta como a agulha do saca-rolha. Essa nódoa é meu sangue derramado. A mancha ficará aí porque não enfiarei na máquina de lavar a toalha do encontro desfeito, enquanto que, pelo que a duras penas aprendi sobre você, o seu perfume no momento inebria antipáticas  narinas que desconheço.O pior é o ombro do cafajeste. 

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