Depois de Auschwitz

001

Anne Sexton/Benatti  

 

a raiva                                                     b

negra como uma foice

me prostra.

A cada dia

um  nazista

pega   um nenê às 8

e o frita    no   café da manhã

na  frigideira.

enquanto  a morte

ao espiar com olhar de indiferença

esgaravata a sujeira da unha.

O homem é o mal

digo em voz alta.

O homem é uma flor

a ser tostada

digo em voz alta.

O homem

é um pássaro enlameado

digo em voz alta.

E a morte olha com  olhar de indiferença

e coça o fiofó.

O homem de  pequenos artelhos  rosados

não tem  dedos milagrosos

não é um templo

mas um depósito

digo em voz alta.

que o homem nunca mais erguerá uma xícara de chá

que o homem nunca mais escreverá um livro

que o homem nunca mais calçará  sapato.

que o homem nunca mais erguerá  os olhos,

numa noite calma de julho.

Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca.

Digo essas coisas em voz alta.

E peço ao Senhor para não me  ouvir.

 

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