Não há lugares, nunca houve, nem mesmo antigos

001

Rui Cóias

Não há lugares, nunca houve, nem mesmo antigos.
Há o que olhamos neles, a sua marca de pó de tijolo que os faz sumir.
Só assim conseguimos chegar. Só brandamente, para lembrarmos.
Não para tocar as colunas liláses ou fazer a travessia no veleiro das tangerinas.
Só vagamente andamos. Não caminhamos, debaixo do sol.
Os pés dos nómadas não enegrecem com as areias e as águas de pequenos portos.
São os ulmeiros que nos protegem e não os seus terraços. A marca de pó fere-nos numa gota desmaiada, podemos entretê-la mesmo entre os dedos que não petrifica. Nada mudou desde o primeiro queixume: — foi com os olhos que partimos na linha do Mediterrâneo e são as oliveiras o seu diurno limite.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s