Auschwitz II

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Luiz Roberto Benatti

 

Perguntaram o nome de meu pai, a seguir o de meu avô, enquanto os dentes e os anéis de ouro depositavam-se num prato de ágata. Meus primos italianos descalçaram-se e se desnudaram em frente da porta do banheiro, quando um sujeito de feições duras gritou o nome Sarin que  não constava na lista de passageiros. Os fios ruivos do cabelo de minha irmã boiavam na sopa congelada. Depois de 3 anos de chuvas pesadas, os sapatos embolorados não conseguiram mais identificar os pés dos verdadeiros donos e os ratos vomitaram ossos e cadarços numa carriola de madeira feita em Braunau am Inn.

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