TEMPOS MODERNOS

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                                   Sérgio Roxo da Fonseca

 

            Há anos atrás foi publicado um livro que, ao que me lembro, chamava-se “Vingança da Medicina” ou “Nêmesis da Medicina”, o que significa quase a mesma coisa. O seu autor, quando os computadores  engatinhavam, teria feito a eles algumas perguntas sobre o conhecimento médico.

            Buscava saber quais teriam sido as descobertas médicas mais significativas. Ou em outras palavras, quais teriam sido as revelações da ciência que teriam proporcionado à salvação de um número maior de vidas.

            Os computadores da época responderam os fatores mais relevantes foram a tesoura da parteira e a vulgarização do sabonete Não foi então a descoberta dos antibióticos? Os computadores responderam que não.

            O que era o serviço médico na metade do século XX? As cidades eram munidas de um Posto de Saúde, de um serviço de contenção da lepra, que hoje mudou de nome, e, de dispensários da tuberculose. Algumas poucas mantinham o serviço de pronto socorro.

            Como as pessoas pobres cuidavam de suas doenças? As Santas Casas, quando e enquanto podiam, socorriam as pessoas pobres. É escusado dizer que as Santas Casas sempre foram entidades privadas e não compunham a estrutura governamental.

            E quando a Santa Casa não podia atender? As pessoas valiam-se da caridade médica, de suas orações e do receituário doméstico. Realmente, era do conhecimento universal que chá de alho era bom para gripes, tosses e bronquites. A folha do manjericão, que então era conhecido como basilicão, curava todas as infecções de pele, era bom até mesmo para acabar com o “mijacão”, mal que atingia aqueles que andavam descalços e pisavam na urina dos animais. Para dor de barriga, mal que atacava aqueles que não tinham geladeira para armazenar comida, usava-se um série infindável de porções, mas, especialmente, pastilhas de carvão.

            A mulher de trinta anos era de data vencida. As pessoas com mais de cinquenta estavam no bico do urubu. Usar óculos era privilégio dos mais favorecidos. Não havia xampu e muito menos desodorante. Como então era viver? Não havia nem o SUS? Não, não havia esse tipo de coisa.

            Ouço dizer que o SUS, o sistema brasileiro de atendimento público à saúde, é o mais amplo que se conhece. Quando não, há um abismo entre o que há hoje e a vida dos anos cinquenta. Não é possível compreender os tempos modernos e o jeito dos homens de hoje, sem estudar a história da Medicina.  Estudamos quase sempre a história do poder, mais poucos foram aqueles que escreveram sobre a história da Medicina. Sabemos o nome dos reis de Roma, alguns dos quais nem mesmo existiram, mas não conhecemos os caminhos trilhados pelos homens para cruzar o século XX e alcançar o século XXI.

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