ÓCIO E NEGÓCIO

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            Sérgio Roxo da Fonseca

 

       Na antiguidade greco-romana foi destacasa a possível contradição entre aqueles que se dedicavam ao ócio frente a outros que se dedicavam ao negócio.

       O vocábulo “ócio” tinha o significado do estado das pessoas que se dedicavam à meditação, ao pensamento e especialmente à produção filosófica. Na época, o mundo civilizado não compreendia a possibilidade de alguém dedicar-se à atividade das pesquisas filosóficas ao mesmo tempo em que se submetia às regras do negócio.

       Daí resulta que o vocábulo “negócio” é composto por “nec” (negação) e “otium” (ócio). Com o avanço da denominada Revolução Industrial, o adjetivo “ociosidade” alcançou a conduta crítica daqueles que se dedicam à vadiagem ou à vagabundagem, contaminando até mesmo aqueles que duramente se dedicam ao pensamento abstrato.

       Seria desejável que houvesse ao menos certo equilíbrio entre a compreensão da nobreza existente entre o ócio e o negócio, objetivando uma evolução harmônica de convivência humana.

       Há séculos que isso não ocorre. Muitas vezes as atividades mais destacadas do negócio expulsaram os valores morais cultuados pela civilização, explorando com violência países da América e da Ásia, impondo a escravidão aos africanos. A África foi condenada à morte em vida, há séculos, pelos países mais próximos do progresso material.

       Os conflitos identificados na história pelos dois vocábulos com certeza não conseguem ocultar a importância, por exemplo, entre o extraordinário trabalho realizado por Platão e Aristóteles em contraste com o resultado encontrado pela nossa civilização.

        A escola de Platão, a sua Academia, instituída por volta de 383 antes de Cristo teve suas atividades encerradas no ano de 529, depois de Cristo, já milenar. Foi fechada pelo imperador romano-bizantino Justiniano, sob o argumento de que pregava o paganismo contra o cristianismo.

       Registre-se que os árabes e os judeus mantiveram os tratados gregos, ressaltando-se os trabalhos de Averrois, Maimônides e Ibn Sina, o criador da primeira escola de medicina que, por isso, leva até hoje o seu nome. Atribui-se a São Tomás de Aquino a enorme tarefa de introduzir especialmente o pensamento aristotélico no mundo cristão.

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