Um elefante no caos ou Cada cidadão tem o trem que não merece

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Luiz Roberto Benatti

Quando atravesso a Avenida Orlando Zancaner, sinto no ar o aroma duma Catanduva que os anos não trazem mais.

Com quem dividirei dores & dormentes se no trem deixei minha caderneta quilométrica?

Tudo o que eu procuro é nada comparado com o tamanho das angústias que eu tenho experimentado.

Deitei-me na linha do trem à noite e olhei para as estrelas: as 3 Marias perguntaram-me em coro onde estariam os ferroviários de outrora?

O Minguta olhou para o trem e berrou: Se não tem para mim não haverá para mais ninguém.

A EFA sucateou-se por inteiro, foi apitar lá no abacateiro e o povo que gostava tanto do trenzinho chorou, chorou, chorou.

Se o prefeito fosse maquinista ele andaria na linha?

Em Alemão, der Mörder der Stadte significa o assassino de cidades.

Disse o foguista: Vou comprar esta joça e apitar para a moça bonita que sorri para mim na roça.

Quando o bilheteiro disse em voz alta Santa Ernestina!, guardei na mala a capa de gabardine ainda úmida da fria garoa paulistana.

O que a minhoca mais teme é anzol enferrujado e o espertinho da vila é ver o sol nascer quadrado.

Dê-me um trem de apoio que eu lhe direi com quantos apitos se faz uma maracutaia.

Se a EFA tivesse vagão de 3ª. classe, os assentos teriam sido reservados aos nossos queridos vereadores transferidos para Santa Insolência dos Miolos Esburacados.

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