Néder Abdo

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Luiz Roberto Benatti

Anfitriões de rara finesse, mesmo se levarmos em conta os padrões de época, Néder e Eunice nos recebiam em sua casa da Rua Bahia para animados papos em torno da política com  pitadas de filosofia, no início dos anos 60s. Néder era primo de Luiz Carlos Rocha, interlocutor carregado de fúria e som, humor engatilhado. Outro de nós, mais comedido, porém  afiado no domínio da Língua escorreita, era Renato Scatena Marão. Os velhos amigos do Barão migram para o país das sombras. Néder tinha voz sonora e, tanto quanto me recordo, com Paulo Cretella, Vicente Quaglia e Raymundo Rodrigues Martins, disputava o lugar da melhor retórica. O papo estendia-se e lá vinha o cafezinho. Confesso que Néder devia nutrir alguma preocupação com nossa formação tanto política quanto filosófica, porque nós, a rigor, não nos servíamos do cálice dos grandes católicos franceses como Chardin, Maritain (ou  Alceu Amoroso Lima) e  Bernanos, que pareciam ser as leituras de fundamento do dono da casa, mas, com sofreguidão,.andávamos na companhia de Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e outros   transtornados.Com o encerramento do Colegial, nossos caminhos desdobraram-se por outras veredas, até que, 30 anos depois, na Livraria Contraponto, aos sábados, pude conversar com seu filho Néder José sobre seu pai e novas leituras.

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