Queria ter um amor que  de mim nada soubesse

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Luiz Roberto Benatti

 

queria ter um amor que de mim

nada soubesse até o meio-dia

não por que eu durma ferrado no sono

depois das 4 ou 5 mas porque

nestas manhãs frias

eu acordo no meio da noite

para anotar umas linhas

que de outro modo ficariam esquecidas e que em razão disso

sem o conhecimento do leitor

e o prestimoso interesse do editor

eu não pudesse  receber o prêmio literário  

que me permitiria trocar o sapato cambaio por outro reluzente

e o capote puído por outro perfumado

em que a namorada pousasse a cabeça cheia de esperança

e crente de que o mundo cruel

vai explodir num estrondo

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