Houve um dia em que o Sol parou, e a Lua não se moveu, até que o povo se vingou de seus inimigos

Luiz Roberto Benatti

 

Esse dia foi o 25 de abril de 2008, com a lei 4549, assinada por Affonso Macchione Neto, ao criar e mandar instalar o Museu municipal de CTV junto com a coordenadoria municipal de cultura, “onde serão reunidas pesquisas, análises” (desenvolvidas por quem?) “e acervos da história do Município e região” (se os nossos praticamente se desmancharam entre a madrugada e o amanhecer, quando o céu tinha a cor do breu?). Teria a nefasta ação saído da cabeça de Apolo, criatura hiperbórea? Por que deveríamos “criar” o que antes já tinha sido criado, ou “descriar” o que, em tempos recentes, sempre existiu, à vista do mais distraído visitante da cidade? Por que, enfim, trocávamos os 6 até então existentes e competentes por um (e apenas um) que não se ergueu um milímetro acima do papel em que o rabiscaram? O fraco convenceu o forte a fazê-lo, ou todos os acionistas do caos tinham os olhos costurados pela insônia e o miolo esfarelado pela fúria de Josué? Essa criatura bastarda – sem nome,porém apelidada de MM,não tinha teto, não tinha nada nem acervo nem documentos, razão por que, rezou a lei, metabolizou o que no ventre dos museus existentes/inexistentes havia, assim urdidas as coisas: o que pertencera ao museu criado pela lei 528, de 5 de abril de 1961; o da lei 2014, de 28 de março de 1984; da lei 3033, de 8 de junho de 1994; 3263, de 17 de abril de 1997 e 3565, de 31 de agosto de 1999. Até com a Álgebra brincaram de tourear a verdade: 5 + 1  é igual a? O museu faltante era o Museu de Rua que foi parar no Beco dos Aflitos. A seguir, meus diletos amigos da Cultura local, Apolo ou Aspásia conceituava os “princípios fundamentais dum museu”: a valorização da dignidade humana (Sério! Está na lei, e eu lhes pergunto como poderei valorizar aquilo que deixou de existir porque despencou no poço seco do Coisa Ruim?) etc. e tal e “o intercâmbio institucional”. Anotem: nesse intercâmbio vê-se a impressão digital do ato estapafúrdio: botaram numas bruacas o pouco que tínhamos e saíram pelas vilas da redondeza para mostrar os fuzis belgas do século XIX, os patações de ouro e prata mandados cunhar por Pedro de Toledo, o alfinete de gravata de rubi e diamante que ele usou onde e quando e o que mais pôde, como os pedaços dum circo mambembe  levado por aí. Viagem de ida sem retorno. O triprefeito morre de amores pela toca do coelho que, para Alice, estava sempre atrasado, mas não tem o mais mínimo interesse pela memória da cidade, a não ser que porções da cidade possam tilintar na velha registradora do MIS.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s