Não é que ninguém  saiba coisa alguma

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Luiz Roberto Benatti

 

não é que ninguém  saiba  coisa alguma

a língua tombada como se fosse a metade

 do quarto dianteiro dum porco

pendurado no gancho do açougue

e que  fosse você o mais bem informado

de todos os homens de chapéu gravata e galocha

da vila não é de fato nem uma coisa nem outra

o negócio  é que uns adoram margarina enquanto

os demais torcem o nariz porque dizem que

aquilo nunca foi parecido com manteiga nem aqui nem em Xangai ou em Breu das Almas Imaculadas  já que

o plástico de que foi feita não é de origem animal

a verdade meus amigos é que as sólidas   verdades sumiram-se

da praça como o elevador que chegou ao topo e que dali continuou ou como o vendedor  que não tinha mais calça

ou camisa sapato ou paletó para devolver  aos  credores

&  nós ficamos como 300 idiotas que olham para o copo

vazio do vizinho de frente como se estivesse até a

boca de champanhe francês

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